Recentemente estive testanto esporadicamente algumas alternativas ao Windows Explorer, já prevendo que no futuro vou ter que adotar algo fixo pra substituí-lo depois que a Microsoft estragou ele no Windows 11.
Dentre as opções que experimentei, estava o promissor Cubic Explorer (em 2009, o HowToGeek fez um review dele). É um gerenciador de arquivos altamente personalizável, leve e simpático. Infelizmente o desenvolvimento cessou por volta de 2013 ou antes, e ele é meio instável, não servindo como um substituto por também ter algumas deficiências (só usando pra perceber).
Imagem do site do desenvolvedor obtido no mirror do WebArchive.
Apesar dos pesares, gostei da interface e da possibilidade de customização com temas, como não poderia deixar de ser. Ele dispõe de skins no estilo Chrome, Vista, Office, Ubuntu (minha preferida), dentre outras, algumas parecem meio brutas na renderização da interface, mas nada exagerado.
Seletor de barras a exibir.Janela parão no tema “Human” (estilo Ubuntu Linux).Seletor de temas.Personalização das barras de ferramentas através de “arrastar e soltar”.
Além desses temas, uma das coisas que gostei é a ampla flexibilidade para definição de botões, separadores, opções de visualização e funções que podem ser selecionadas e adicionadas à interface, bastando arrastar e soltar.
Exemplos de temas no site do desenvolvedor.
A versão que usei foi a disponibilizada pelo PortableApps, e a instabilidade é um crash insistente ao clicar com o botão direito em áreas vazias da janela, possivelmente causado pelo FileMenuTools, uma extensão de shell muito útil que adiciona utiliários ao menu de contexto, então provavelmente não deve ser uma falha comum. De qualquer forma, o bug não impede o uso do CubicExplorer, pois a janela de erro que aparece dá a opção de ignorar e prosseguir.
Errinho chato, possivelmente causado pelo FileMenuTools.
No mais, descobri que um usuário do software criou um repositório no GitHub há alguns anos, na esperança de que algum desenvolvedor faça um fork do CubicExplorer, o que seria ótimo. Enquanto isso não acontece, e não migro definitivamente do Windows 10 (só o farei quando o suporte definitivo acabar), vou experimentando e sugerindo alternativas.
Sim, eu odeio a simplicidade ineficiente do Explorer adotada no Windows 11, que removeu atalhos e botões que me eram bem úteis na barra de ferramentas, e sinceramente não entendo os reviews positivos que vi quando o sistema foi lançado. Pra mim, foi um dentre MUITOS retrocessos na flexibilidade de personalização e usabilidade do Windows (a começar pelo Menu Iniciar e barra de tarefas).
Uso o Q-Dir frequentemente, pois gosto muito da abordagem de até 4 janelas numa interface só sendo mais útil para alguns fluxos de trabalho do que o simples uso de abas, mas não substitui a conveniência e o costume que tenho com o Windows Explorer padrão. Outras duas opções gratuitas que tenho testado e estou gostando são o Explorer++ e XYplorer Free, que embora tenha sido descontinuado em 2017 na versão freeware, ainda funciona muito bem.
A tendência é chegarmos a algo como o filme Idiocracy, no qual seremos inundados por propagandas, paywalls, planos de assinatura, coleta de dados desenfreada, e mais anúncios pra acessar o mais corriqueiro conteúdo, seja um vídeo ou até mesmo o e-mail.
O futuro da WEB e da humanidade não será muito diferente do que esse filme trata…
O que vai de vez acabar com a graça de usar a web como “diversão”, é o fim das coisas orgânicos, de conteúdo à interações. O domínio agressivo de anunciantes e mineradores de dados, a falta de regulação eficiente, e o DRM planejado em forma de “protocolo, RFC ou implementação aprimorada distorcida de algum padrão W3C” é que nos impedirá de usar navegadores independentes na maioria dos sites por “não serem mais certificados ou suportados”, por usar adblocks, e quem sabe até VPNs.
E tudo isso será por conta de quatro ou cinco conglomerados de mídia e tecnologia. O jeito é mesmo descentralizar as coisas, e regular antes que seja tarde. Acho que já é tarde.
O comentário abaixo resume bem, apesar do tom “conspiracionista” ao citar o mais recente crypto token de intenções obscuras (biometria de iris e afins…). Mas no geral, as quatro etapas previstas são um déjà vu, sem sombra de dúvida.
Sem muito a comentar além de um agradecimento básico por essa atualização de véspera de Natal no projeto Haiku! Acompanho o lento (mas promissor) progresso do sucessor espiritual do BeOS desde o início, quando ainda se chamava OpenBeOS, e embora nunca o tenha utilizado em ambiente de produção, mal posso esperar quando esse sistema tiver pleno suporte a aceleração 3D e outras capacidades multimídia que fizeram o nome do sistema original na década de 90!
Dentre as principais atualizações, as que mais me agradaram foram o suporte a GTK+ e integração do WINE com suporte nativo à interface.
Do post do OSNews:
“There’s a lot here to talk about. The improved support for HiDPI looks amazing, and definitely a must-have in today’s world of 4K displays. There’s lots of new and improved drivers, including a new compatibility layer for OpenBSD WiFi drivers, a new NTFS driver, and more. The number of ports has increased by a lot thanks to X11, Gtk+, and even Wayland compatibility – Inkscape, GIMP, GNOME Web, and more. Wine has also been ported to Haiku, using a Haiku-native windowing and input backend. And much, much more.”
Sigo o OSNews há mais de 20 anos, e sempre descubro coisas interessantes ali, embora há muito tempo a maioria dos posts não sejam focados em sistemas operacionais alternativos, talvez porque os mais interessantes – BeOS, SkyOS, AtheOS, Syllable – foram descontinuados, mesmo alguns tendo seus sucessores espirituais como o Haiku.
Mas voltando… embora eu sempre tenha sido usuário de Windows, gosto de ler sobre plataformas alternativas e no OSNews sempre há links interessantes sobre sistemas fora do mainstream, e notícias sobre gerenciadores de interfaces (desktop & window managers) são de longe meus tópicos favoritos, desde que conheci o Linux em 1998 (Revista Geek #3) e o WindowBlinds em 1999 (Revista PCExpert). Além disso, o tema principal aqui no blog é deskmod e afins
NsCDE: Clone do CDE baseado numa ampla modificação do FVWM
Em uma dessas atualizações de feed, em um post qualquer sobre o NsCDE como de praxe verifico a seção de comentários e encontro mais coisas interessantes. Um link leva a outro, que leva a outro, e assim a procrastinação me faz abrir dezenas de abas do navegador com diversos projetos diferentes (os sistemas abordados em si não são novidade pra mim, mas os projetos linkados em sua maioria sim).
Enfim depois esse prólogo padrão venho aqui listar as curiosidades que encontrei com breves comentários/screenshots pra não perder o hábito e porque todo mundo gosta de imagens:
wm2FVWM95Open CDENEXTSPACEIRIX IID & 4DwmVersão antiga do MaXX com esquemas de cores da SGIMais um screenshot do MaXX Interactive DesktopGerenciadores no GNU/Linux
The sad state of Linux desktop diversity: 21 environments, just 2 designs – Opinião sobre a “falta de diversidade” na abordagem dos paradigmas de usabilidade que se tornaram “mais do mesmo” desde 1995 no universo Linux, de acordo com o autor. Contudo, acho que ao menos eles tem variedade de opções e ao contrário de usuários de Windows, que ficam cada vez mais restritos quanto às opções customização. O texto fica realmente interessante a partir da metade, ao falar dos gerenciadores mais old-school e outras plataformas, apenas alguns listados a seguir:
wmx e wm2: gerenciadores de janelas que colocam a barra de título e botões de controle na lateral, fugindo do padrão de topo de janela, acho que vi algo assim no Efsane, mas é hoje difícil encontrar qualquer screenshot deste outro gerenciador que mostre isso, pois ele era meio obscuro.
MaXXdesktop: continuação do 5Dwm, sendo uma reimplementação do Irix Interactive Desktop da Silicon Graphics, para outros sistemas Unix. Perfeito para nerds de computação gráfica devido ao legado da SGI, o último release foi em 2020, e espero que seja desenvolvido continuamente.
NEXTSPACE: esse projeto tem o objetivo de implementar no Linux um ambiente de desktop o mais próximo possível da experiência que o NeXTSTEP proporcionava, pra isso leva a sério em seu desenvolvimento as diretrizes de interface de usuário do OpenStep. É claro que por se basear no sistema da NeXT, tinha que ser a interface mais bonita do mundo.
NsCDE: tema gênese deste post, é quase um gerenciador de desktop inspirado no “look and feel” do CDE original, porém na realidade é uma adaptação do FVWM.
O The Common Desktop Environment, foi desenvolvido em colaboração entre Sun, HP, IBM, DEC, SCO, Fujitsu e Hitachi, era quase padrão nas estações de trabalho UNIX (HP-UX, Solaris, Tru64, AIX, etc) que essas empresas vendiam nos anos 90s e teve seu código-fonte liberado em 2012.
FVWM95: falando neste… segue o link da versão dele modificada para imitar o Windows 9x. Se não me engano, este era o desktop padrão que vinha no “Conectiva Linux Marumbi 5.0”, ou algo assim. Aliás, a primeira vez que ouvi falar do GNU/Linux foi nessa versão, que ainda era derivativa da RedHat, e foi distribuída na Revista Geek em 1998.
Bônus…
Linux Accessibilty: an unmaintained mess – Uma reflexão sobre os problemas de acessibilidade no mundo das distros Linux, pelo ponto de vista de quem mais precisa de implementações eficientes de recursos que são vantajosos para qualquer usuário, deficiente ou não.
Amiga, BeOS, MacOS, OS/2, RISC OS e outras tralhas…
amiwm: gerenciador de janelas para o X (Unix, Linux, etc) inspirado no Amiga Workbench. Alguns anos atrás o ArsTechnica fez uma extensa série de artigos contando a história dos computadores Amiga e da Commodore, da ascensão à queda. Pelo o que vi os posts começaram em 2007, mas até 2018 teve algumas atualizações, o que é compreensível por ser uma plataforma com uma das mais dedicadas comunidades. Aliás, sobre esse sistema tem tantos outros projetos derivativos que vale outro post.
amiwm em um PC 486 rodando GNU/Linuxamiwm em IRIXamiwm em HP-UXDiferentes plataformas em que o amiwm tem suporte
BeOS: the Mac OS X might-have-been: breve artigo à época do lançamento do Windows Vista, resumindo a história do BeOS, que uma década antes da atualização da Microsoft, já tinha capacidade multimídia invejável para os padrões da época, mas continuou desconhecido para muitos. Deixou de ser desenvolvido em 2001, quando a Be Inc. foi vendida para a Palm, mas por pouco não foi adquirido pela Apple, que optou pela NeXT de Steve Jobs. O BeOS é o sistema alternativo pelo qual eu mais tenho admiração desde que o conheci na extinta Revista Geek, que distribuiu a versão R5 PE em 2000.
NetpositiveBootsplashAbout BeOSMaravilhoso e incompreendido BeOS.BeOS em sua curta existência
Macintosh Garden: um repositório de abandonwares para Mac, com muuuita coisa. É o tipo de site que dá vontade de comprar um Mac antigo só pra testar os milhares de programas disponíveis, para diversas gerações dos compuitadores da Apple. Claro que dá para testar via emulação, mas em um sistema original performance e estabilidade são sempre melhores. Ainda assim, navegar o conteúdo do site já é uma prazerosa distração.
Milhares de abandonwares ainda úteis para Macs antigos e geeks curiosos.
Projeto Infinite Mac (System7.app / MacOS8.app / MacOS9.app / Kanjitalk7.app): a oportunidade mais fácil de sentir o look and feel do MacOS clássico é checar esses emuladores de Mac clássico direto no browser. Não testei a fundo, mas aparentemente dá para instalar aplicativos externos desde que se faça o download pelo próprio emulador, mas não deve dar pra salvar as configurações da sessão de uso. Iniciei esse post em agosto, e vi que o projeto está sendo atualizado constantemente, sendo que dia 30 de Outubro de 2022 lançaram o emulador web de PowerPC/OS9.
Tem muita coisa interesante ainda pra descobrir.
Há alguns anos, testei emulação no desktop via Sheepshaver ou Basilisk (não lembro qual exatamente), mas era muito instável e lento, tornando inviável brincar com o sistema. Talvez devido à versão do emulador à época, ou menor suporte no Windows, já que esse emulador surgiu inicialmente no BeOS, e depois foi portado pra Linux & outros. Vale a pena checar o link inicial pois há uma série de outras ferramentas e projetos sobre emulação de sistemas retrô para conhecer.
OS/2 a quarter century on: Why IBM lost out and how Microsoft won: em 2012, ano em que o sistema da Big Blue fez o 25º aniversário, o The Register publicou uma ótima materia que abordava a virada da Microsoft sobre a IBM e porque o OS/2 foi um fracasso e não virou padrão da indústria.
Workplace Shell: galeria de imagens do desktop do OS2/Warp 3, do qual derivam alguns elementos do lançador de aplicativos do CDE graças a colaboração da IBM. Para curiosos e entusiastas de UX/UI, vale muito a pena conferir todo o resto do site GUIdebook gallery.
A última imagem, retirada do artigo do The Register, é do OS/2 Warp 4 (1996) e as demais do Warp 3 (1994).
RISC OS: artigo do The Register falando sobre abertura do código-fonte do RISC OS. Talvez chamá-lo de “exótico dentres os alternativos” seja um exagero de minha parte visto que foi um sistema muito bem sucedido na primeira era da arquitetura ARM. Aliás, na interface dele se baseia o ROX Desktop, um gereciador de desktop bem bonitinho e com idéias inovadoras.
RISCOS 3.7RISCOS 5RISC OS: Exótico? Talvez. Autêntico? Com certeza.
Bônus II: Pra finalizar esse post, deixo uma amostra com esse vídeo mostrando das promessas do BeOS como sistema multimídia muito superior aos demais sistema para desktop à epoca, mas que acabaram interrompidas pela falência da Be Inc. no início dos anos 2000.
Demo das capacidades multimídia do BeOS em vídeo circa 1998.
Há várias teorias sobre as possíveis razões para o fim deste sonho, como o as práticas predatórias da Microsoft quanto as restrições de licenciamento para OEMs, o foco errado da Be Inc em nichos de mercado, marketing e tipo de usuário, dentre outras. Mas a única certeza que se pode ter é que a venda para a Palm sem um destino claro da tecnologia e sem uma abertura de código, foi o fim efetivo de qualquer esperança de reuso das capacidades do sistema original. Algo que certamente afetou a concorrência de mercado, atrasou a adoção do multiprocessamento em PCs comuns e impediu uma evolução mais positiva e diversa no mundo dos sistemas operacionais para usuários finais.
Há muito não sou ligado na cena rock nacional, há muito tempo mesmo, e podem me julgar e o escambau, fato é que normalmente não acompanho o que rola na mídia mainstream brasileira quanto à música (já que em geral não é rock), e quando tem algo que talvez possa me agradar no que se refere ao ritmo, já está tão “hypado” que eu perco o interesse pela saturação absorvida por osmose: aquela música que a gente não procurou, mas ouve por aí em rádio de porta de loja, carro passando na rua, boteco, vizinhança, sugestão de streaming ou spam de mídia social.
Ou seja, o que tá em voga e nunca ouço mesmo, sempre é tralha enlatada (ou estilos que não me agradam), e na cena de rock, durante o hype eu só ouço indiretamente, e com atenção somente depois de uns 5, 10 ou 20 anos depois que saiu, por cursiosidade repentina ou algum gatilho de recordação…
De rock nacional mesmo, apenas passei pela fase clichè que a maioria dos jovens brasileiros nascidos entre a decada de 80 e 90 passou, ouvindo coisas como Legião Urbana, outras bandas oitentistas e afins. Nada de diferentão. Aliás conheci Legião Urbana já bem tarde, por volta de 1995/96, por uma fitinha K7 de O Descobrimento do Brasil. Tinha 11 anos de idade e o que ouvia de rock nacional antes disso tinha sido Raul Seixas, Ritchie e Ultraje a Rigor e coisas que eu não sabia o nome na época. E de rock internacional furei o album These Days do Bon Jovi (pois foi o primeiro CD que tive em 1996) e So Far So Good do Bryan Adams, além de uns LPs de hits pop e new wave quando ainda mais novo.
Daí, dessa época até por volta de 1999 passei a conhecer as bandas de rock brasileiras típicas que a falta de acesso a internet na época permitiam: ou seja, aquelas do eixo Rio/SP e centro sul, algumas que há muito já tinham passado de seu ápice mas das quais os sucessos continuam vivos até hoje, e outras que estavam se consolidando ou em seu auge: Engenheiros do Hawaii, Kid Abelha, Plebe Rude, Skank, Planet Hemp, Pato Fu, Raimundos, Ratos de Porão (claro que esta última nunca estará no mesmo universo das demais).
Além disso, não tinha MTV em casa, então eu lia sobre outras bandas na revista Showbizz (antiga Bizz, que no fim da vida voltou a ter este nome), e na RoadieCrew (quando conheci uns amigos metalheads) e emprestava CDs de amigos que eram de outros estados, mas que moravam em Porto Trombetas (PA). Basicamente eu ia lendo as resenhas de CDs que saiam (nacionais ou não) e anotava na memória pro dia em que eu pudesse ter acesso à web em casa (a partir de 2001, quando passei a usar o já agonizante Napster, depois WinMX e KaZaA).
Por um breve período também havia um serviço de compra de CDs da Editora Abril chamado Musiclub, que não deu certo depois que eles quiseram forçar uma “assinatura” empurrando albuns que não interessavam, mas conheci algumas coisas ali por curiosidade.
No entanto, mesmo com tudo isso, aquelas ondas do hardcore melódico (antes dos emos), rock gaúcho e outras cenas paralelas que apareciam até em programa dominical, eu só passei a “acompanhar pra valer” por volta de 2003, quando me mudei para Santarém, pois lá o sinal da MTV era aberto. Não que eu dependensse da MTV pra isso, mas os downloads que eu fazia em geral não eram de bandas brasileiras, então meu conhecimento sobre estas se concentrava no que via na TV (nunca tive hábito de ouvir rádio).
Nesse período, aliás já desde 1998 pelo menos, eu estava na transição pros resquícios do alternativo gringo noventista, ouvindo Nirvana, Alice in Chains, Pearl Jam, Candlebox, Veruca Salt, Bush, Silverchair, etc. E fui cada vez mais achando aí meu foco de interesse por muito tempo: em geral coisas do movimento grunge e derivativos, stoner rock (Kyuss, Fu Manchu), algo de punk (Bad Religion, NOFX), além de dream-pop (Mazzy Star, The Sundays, Belly).
Também lá por 2000 comecei a ouvir metal, mas ignorando parcialmente a onda “nu-metal”, que só passei a pesquisar de uns 10 anos pra cá. Curtia mais thrash, industrial e um pouco de gótico/doom (que hoje é o que mais ouço), mas aí é coisa pra outro momento, pois mergulhei mais ainda nisso já no fim daquela década, e é verdade que uma vez que você vai conhecendo as vertentes do metal, nada mais é rock pesado o suficiente.
Enfim, a questão é que chegou um momento la no início do século, que eu basicamente perdi a curiosidade em bandas brasileiras. Coisas como Autoramas, CPM22, até acompanhei um pouquinho em suas épocas de maior rotatividade, mas outras bandas cultuadas dos anos 90s como Little Quail and The Mad Birds, Graforréia Xilarmônica, a maravilhosa banda mineira Virna Lisi (a qual conheci já na notícia sobre o fim em 1997 no Alto Falante da Rede Minas – rende outro post), e até bandas mais famosas e pioneiras como Nenhum de Nós, Cidadão Quem e Heróis da Resistência só fui ouvir algo mesmo depois de 2010. Ira! e Capital Inicial por exemplo, até hoje ouvi pouquíssimo, e Paralamas do Sucesso, Titãs e O Rappa eu curtia pouco ou quase nada.
Mas não as desmereci jamais, eu apenas estava em outro momento, que acabou durando muito tempo ignorando as boas bandas brasileiras nas minhas buscas, porque vivendo quase isolado no meio do mato não havia resquício nenhum das bandas alternativas nacionais para transpor a mídia nem mesmo na programação da madrugada da MTV. O streaming de música era incipiente, a capacidade de viralização era escassa e o YouTube só surgiu em 2005, mesmo ano em que passei a descobrir coisas pelo Last.FM, então concentrei minha curiosidade nas coisas que estouraram lá fora nas cenas de britpop, grunge, shoegaze, etc ainda da década anterior. Como sempre, passando a escutar tudo com atraso, mas agora por vontade simultânea ao desinteresse pelo hype.
Toda essa história irrelevante pra compartilhar uns links interessantes. Ontem quase por acaso lembrei de uma banda carioca independente chamada Pólux (e/ou Polen?), que terminou ainda em 2001. Lembrei deles por uma reação em cadeia, após ter visto Pedro Bial entrevistar uma banda curitibana que está no “super hype mainstream” atualmente (com uma música chata pra caralho), e em certa parte da entrevista outros participantes falavam da cena curitibana e citaram o Relespública, que é das bandas que eu ouvi falar lá no início dos anos 2000, mas que ficou na minha lista do “um dia vou procurar sobre”. E nada.
Cá estamos 22 anos depois, e nessa pesquisa que fiz sobre eles no Soulseek, me veio em mente o Polux, que vi em uma apresentação em algum programa noturno da TVE carioca, que era um dos 5 canais abertos que tinham sinal em Porto Trombetas sem antena parabólica no início dos anos 2000. Já anos depois eu vim saber que essa banda acabara em 2001, e dela originou-se o Leela, banda de Bianca Jhordão que foi umas dessas que tiveram sucessos la em 2004, mas que eu não dei muita atenção. Contudo “a cada 5 anos” eu lembrava do Polux, queria saber por onde andava a baixista da época e saber se havia algum album antigo (já que eram underground quando acabaram).
Ou seja, a partir de de uma entrevista sobre uma banda com um hit horrível de hoje em dia, tive o gatilho pra pesquisa sobre Relespublica > Polux > Leela e achei varias coisas interessantes:
Polux láááá em 1998?
Havia duas ex-baixistas contemporâneas à época das minhas memórias sobre a apresentação na TVE, mas eu não lembrava o nome. Se trata da Eva Leisz (ou Mariana Eva) que em 2001 tinha uma banda/projeto chamado “mim” (há pouca informação hoje, apenas uns mirrors antigões do site). Conheci o excelente trabalho da Katia Dotto, que também teve passagem como baixista pelo Polux, Leela, e pelo projeto da Leisz. Ouvi e gostei bastante do álbum homônimo do Leela lançado em 2004. Alguns links com perfis e entrevistas relacionadas:
Katia Dotto, vídeos da época da produção do clipe de “Cinco Cores” e outras canções em voz e violão no perído do álbum Amabile (Jul/2011)
Por fim, ainda na busca pelo Polux, achei o blog “Demo-tapes Brasil“. Um verdadeiro acervo com fitas demo de muitas bandas brasileiras, incluindo várias que guardei os nomes na memória para um dia pesquisar, mas deixei de lado. Coisas como Baba Cósmica, Wry, Walverdes (infelizmente não achei Maybees, Boato, e o The Jerks é outra banda)… Mui grato pela dedicação do Edson Luis de Souza em compilar e manter um histórico importante como esse. Destaque pra demo do Polux, Ex Limo Terrae, de 1998, e o clipe da música que lembro que tocaram na TVE.
Para links quebrados pro album que você quer, basta ir no banner do Mega no canto superior direito dá página.
Clipe beeem demo.
Continuo escutando as coisas com anos de atraso, muitas vezes bem após as bandas encerrarem atividades, mas esses achados me fazem “mudar o disco” e variar para redescobrir alguns sons que esqueci e ouvir o que tenho perdido nas playlists. Mas admito que não tenho lá curiosidade por muitos artistas em voga hoje. Concluo que meu exercício tende mais a reduzir esse intervalo de atraso entre o momento hype e a fase em que finalmente posso curtir fora do espectro de saturação.
Kanella Pie, em vídeo sem data no programa Caderno Teen (TVE/Rio), provavelmente o mesmo programa em que conheci o/a Polux.
Eu comecei a escrever esse post há uns 2 meses, e deixei em rascunho. Perdi uns links e na “re-pesquisa”, acabei encontrando mais uma jóia com a Katia Dotto, chamada Kanella Pie, que eu não havia prestado atenção em uma das entrevistas linkadas. Na pesquisa sobre, achei um vídeo antigo, publicado pelo baixista Bruno Linhares no YouTube, e coincidentemente, um conhecido da época da escola, que também sempre foi muito ligado em música, havia comentado no vídeo ha 14 anos atrás (época da publicação).
Passados esses dois meses, Daí, considerações finais outras coisas que alimentaram minha curiosidade…
Curti bastante o que ouvi do Leela, especialmente o album homônimo e o Pequenas Caixas, de 2007. Além do hit grudento “Te procuro”, algumas faixas que destaco são “Qualquer um”, “Romance fugitivo”, “Refém” e “Mundo visionário”.
Achei Relespública bem rockabilly, não é muito minha vibe, mas serve pra escutar bebendo ou trabalhando em modo turbo.
Ainda vou ver o que acho de Penélope, que é outra banda por onde Dotto passou, mas só escutei faixas isoladas na época que ficou em evidência, embora já tivesse lido sobre a banda baiana pela Showbizz possivelmente devido à colaboração com os Raimundos. Eu nem imaginei que tivessem terminado ainda em 2004! XD
Reescutar Autoramas (banda da qual faz parte Erika Martins, também ex-Penélope)
Ouvir o último álbum do Virna Lisi, que parecem ter escolhido ficar na obscuridade já que não tem nada na Deezer/Spotify, mas tem page no Bandcamp.
Outros álbuns de “Rock Brasil” de fins dos anos 80 até meados dos 90s: coisas que eram “inacessíveis” devido à divulgação, progresso tecnológico ou minha idade.
Relembrar e pesquisar outras bandas nacionais do período de 2000-2010: coisas mainstream que esqueci, ignorei ou nem me liguei sobre a existência, coisas como Rock Rocket, que eu não sei porque mas sempre lembro do nome quando ouço Autoramas. Curti quando conheci, mas deixei de lado.
E considerando que a Katia Dotto parece ser um link maior entre as coisas aqui, mais até que o Leela, será que acho mais coisas do Kanella Pie? Bye.
Largado às traças desde 2013 (v5.666), o adorado Winamp, player que em Abril fez 25 anos de existência e uso desde 1999 aparentemente deve voltar a ativa finalmente. Desde 2014, quando a Radionomy comprou o player da AOL, depois que esta cessou o desenvolvimento do mesmo, havia uma vaga esperança de que ele tivesse um destino digno, diferente do que ocorreu com o Sonique, vários anos antes.
Desde então eu não pensei em procurar alternativas para substituí-lo, pois pra mim, o Winamp é o player definitivo. Alguns plugins que julgo essenciais só funcionam com ele, coisas simples mas que melhoram bastante o áudio, e também tenho uma coleção com centenas de skins, na maioria clássicas, que são desde quando comecei a usá-lo, há mais de 20 anos. Gosto também da velocidade, leveza e interface objetiva. Eu não diria simples, já que tem muitas opções, mas mesmo essa flexibilidade de personalização é feita de modo intuitivo e organizado.
Primeira skin que me recordo de ter baixado pro Winamp, lá em 1999. Stainless v2.0 (Lançada em Dezembro de 1998!). No início de 2021, consegui reencontrá-la, depois de vários anos…
Eis que em Novembro de 2021 surge um chamado dos desenvolvedores para usuários interessados em participar como beta-testers para a próxima/nova versão do player. A tal nova versão já foi anunciada pelos “coming soon” em outras ocasiões, em 2016, 2018, etc.
Nesse meio tempo, ocorreu que a melhor substituição que achei pro Winamp, foi o próprio Winamp! Ou melhor, um “fork” dele, chamado WACUP, que é um patch da versão 5.666, com alguns recursos obsoletos ou desnecessários removidos, outros adicionados ou melhorados, além de correções de bugs. Foi importante achar essa alternativa, porque a versão oficial que eu usava (5.6x ou anteriores) não estava mais fazendo o scan completo da minha biblioteca, que com mais de 28 mil arquivos sempre travava sem conseguir indexar tudo, o que era frustrante. Enfim, recomendo totalmente aos orfãos do Winamp original testar a estabilidade do WACUP, mesmo ele sendo um eterno beta/hack.
Claro que existem outros players com mais recursos ou diferenciais tentadores, e com skins muito boas e nesses anos todos testei muitos, mas não explorei muitos plugins DSP e outros, com esses players, e nunca os utilizei com intuito de substituir o Winamp, e sim pelo hobby de fuçar esses apps e de vez em quando variar no visual do desktop (afinal, o tema maior nesse blog sempre foi deskmod).
Em um post futuro vou abordar alguns dos principais que testei com mais frequência, e ainda vou falar sobre os anteriores ou contemporâneos ao player da lhama, que me chamaram a atenção, mas não o superavam!
Novo logo do Winamp.
Este post começou a ser escrito há meses, e tanto tempo passou que hoje saiu uma “atualização” do Winamp oficial: versão 5.9 Build 9999 RC1 (Release Candidate) / Release Notes. No entanto, não parece ter relação com o prometido “beta”, e sinceramente não tenho curiosidade nenhuma em testá-lo, pois apesar de ser uma versão com correções de bugs (e recursos inúteis removidos), acabou introduzindo uma série de incompatibilidades com plugins, e alguns recursos não estão funcionando, e o WACUP tem melhorias de UX/UI que o oficial não possui.
Embora até o momento os desenvolvedores não tenham mudado neste recente beta, a interface e usabilidade para algo radicalmente diferente, Darren Owen (dev do WACUP), especulou neste post no Reddit que o novo Winamp deverá ser uma versão “remasterizada” – algo à la Spotify – e se assim for, pode esquecer a compatibilidade com plugins e skins antigas… um grande desperdício de um legado que ainda funciona muito bem até hoje.